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Definição encontrada no Novo Dicionário de Termos Europeus
Reunificação da Alemanha

A reunificação livre e pacífica da Alemanha, no dia 3 de outubro de 1990, foi um acontecimento histórico, 45 anos depois de ter ocorrido a divisão deste país. Antes de 1989, não eram muitos os alemães que ainda acreditavam numa reunificação. Em termos de política, cultura e comunicação social, era praticamente natural a existência daquelas duas entidades estatais alemãs, até que, no outono de 1989, na chamada República Democrática da Alemanha (RDA) centenas de milhares de pessoas fizeram uma revolução pacífica. Só naquele ano de 1989, haviam fugido para a Alemanha Ocidental 280.000 alemães de Leste. Poucas horas depois da queda abrupta do Muro de Berlim, no dia 9 de novembro de 1989, já se ouviam as palavras de ordem "Alemanha, uma só pátria”, primeiro, em Leipzig e, depois, noutras cidades da Alemanha Oriental. Este imperativo de liberdade venceu décadas de domínio comunista. Helmut Kohl, o então chanceler federal, aproveitou esta oportunidade histórica e garantiu a concretização rápida da reunificação, pois os alemães da RDA desejavam a rápida adesão à República Federal da Alemanha e ao seu modelo de prosperidade.

 

As pessoas aspiravam também à justiça e a um Estado de Direito. Na RDA, não havia Estado de Direito, nem separação de poderes, a justiça não era independente: em qualquer altura, o Partido Socialista Unificado da Alemanha podia interferir na justiça. O abandono do país era considerado crime. Apesar disso, milhões de pessoas abandonaram o país, frequentemente, correndo um grande risco, pois era permitido disparar sobre #fugitivos da República”: uma ordem para abrir fogo que causou a morte a mais de mil pessoas.

Nos primeiros meses após a queda do Muro de Berlim, os políticos alemães tiveram de rebater as objeções à reunificação, por parte dos Chefes de Estado e de Governo europeus, e cumprir algumas exigências, inclusive de carácter financeiro. Em menos de um ano, a Alemanha foi reunificada – sem um único tiro ter sido disparado. 370. 000 soldados soviéticos abandonaram a antiga RDA. Com a reunificação, a Alemanha recuperou a plena soberania que havia perdido com o fim da Segunda Guerra Mundial.

 

A adaptação ao Ocidente não foi fácil, embora não tenha sido, de longe, tão dolorosa como noutros Estados da Europa Central e Oriental. As velhas indústrias desapareceram; muitas pessoas caíram no desemprego, algo que desconheciam até àquele momento. Ao fim de 40 anos de socialismo, a produtividade do sistema da RDA havia atingido, no máximo, um terço do nível da Alemanha Ocidental. A corajosa introdução do marco alemão na RDA, no dia 1 de julho de 1990, tornou-se um sinal visível para todos da reunificação iminente da Alemanha.

Apesar das enormes transferências financeiras do Ocidente para o Leste, num montante de mais de mil milhões de euros em duas décadas, e apesar de ter sido criada uma infraestrutura económica moderna, ainda não se conseguiu atingir uma convergência plena a nível da economia nacional. Contudo, as diferenças entre o Ocidente e o Leste são, entretanto, cada vez menores. Em todo o caso, a juventude deixou de distinguir entre o Ocidente e o Leste. Neste caso, uniu-se aquilo que deve estar unido.

 

Ao acabar-se com a divisão da Alemanha, acabou-se também com a divisão da Europa. A reunificação da Europa e a reunificação da Alemanha constituíram uma revolução pacífica, desencadeada pelas pessoas que viviam, então, na esfera de influência da União Soviética: na Polónia, na Hungria e na RDA. Estas pessoas participaram, assim, na criação de uma nova ordem mundial, o que levou a um desmembramento, largamente pacífico, da União Soviética. Sem o movimento Solidarnosc (Solidariedade) na Polónia, sem a abertura das fronteiras pela Hungria, sem a fuga em massa e as gigantescas manifestações de cidadãos da RDA e sem a clarividência do Presidente russo Gorbachev, a reunificação alemã não teria sido possível.

Para a Alemanha reunificada, tornada grande potência continental, mas sempre europeia, a pertença à União Europeia também faz parte da sua "razão de Estado”. Só com a reunificação da Alemanha e da Europa é que a unificação europeia ficou completa e se tornou uma história de sucesso única e irrevogável.

(última alteração: Outubro de 2017)
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